A busca por alternativas complementares para aliviar sintomas de rinite tem crescido nos últimos anos. Entre elas, os óleos essenciais aparecem com frequência — mas uma pergunta continua sendo fundamental: existem estudos em humanos sobre óleos essenciais e rinite?
Sim. Um ensaio clínico randomizado publicado em 2016 investigou os efeitos da inalação de uma mistura de óleo essencial de sândalo, óleo essencial de Ravensara e óleo essencial de olíbano em adultos com rinite alérgica perene.
Os resultados foram interessantes, especialmente em relação à obstrução nasal, qualidade de vida e fadiga. Ao mesmo tempo, o estudo é pequeno e de curta duração, por isso deve ser interpretado com cautela.
O que é rinite alérgica?
A rinite alérgica é uma condição inflamatória associada à resposta do sistema imunológico a determinados alérgenos. Entre os sintomas mais comuns estão:
- congestão ou obstrução nasal;
- espirros;
- coriza;
- coceira nasal.
Quando esses sintomas persistem durante boa parte do ano, pode-se falar em rinite alérgica perene.
Além do desconforto nasal, a rinite pode interferir no sono, na disposição, na concentração e na qualidade de vida.
Foi justamente esse conjunto de sintomas que os pesquisadores decidiram avaliar ao investigar a relação entre óleos essenciais e rinite. PMC
Como foi realizado o estudo sobre óleos essenciais e rinite?
O estudo foi conduzido com adultos entre 20 e 60 anos diagnosticados com rinite alérgica perene.
Inicialmente, 62 participantes foram randomizados. Após perdas de acompanhamento e exclusões por descumprimento do protocolo, os resultados finais foram analisados em 54 pessoas, divididas igualmente entre dois grupos. PMC
Um grupo recebeu óleo de amêndoas como controle.
O outro recebeu uma mistura contendo:
óleo essencial de sândalo (Santalum album),
óleo essencial de Ravensara (Ravensara aromatica) e
óleo essencial de olíbano/incenso (Boswellia carterii).
A mistura foi diluída em óleo de amêndoas na concentração de 0,2%. PMC
Os participantes fizeram a inalação por 5 minutos, duas vezes ao dia, durante 7 dias.
O estudo foi randomizado e duplo-cego: nem os participantes nem os pesquisadores que faziam as avaliações sabiam quem estava no grupo experimental ou no grupo controle. PMC
Quais foram os resultados?
Após sete dias, o grupo que utilizou a combinação de sândalo, Ravensara e olíbano apresentou uma redução maior no escore total de sintomas nasais em comparação com o grupo controle.
Entre os sintomas avaliados, a diferença mais clara foi observada na obstrução nasal. Para espirros, coriza e coceira nasal, houve tendência de melhora, mas as diferenças entre os grupos não atingiram significância estatística. PMC
Isso é importante porque evita uma interpretação exagerada do estudo: ele não mostrou melhora estatisticamente significativa em todos os sintomas individualmente.
Óleos essenciais e rinite: impacto na qualidade de vida
Outro resultado relevante apareceu na avaliação da qualidade de vida específica para rinite.
O grupo que inalou óleo essencial de sândalo, óleo essencial de Ravensara e óleo essencial de olíbano apresentou melhora significativamente maior no escore geral de qualidade de vida em comparação ao grupo controle. PMC
Foram observadas diferenças em áreas como:
- limitações nas atividades;
- problemas relacionados ao sono;
- sintomas nasais;
- dificuldades práticas;
- aspectos emocionais.
Os pesquisadores também observaram melhora maior no escore de fadiga entre os participantes que utilizaram a mistura de aromaterapia. PMC
Já na medida geral de qualidade do sono, a diferença entre os dois grupos não foi estatisticamente significativa.
Por que foram utilizados sândalo, Ravensara e olíbano?
O estudo utilizou especificamente uma combinação de sândalo, Ravensara e olíbano, e isso precisa ser levado em consideração antes de generalizar seus resultados.
Os pesquisadores discutem possíveis mecanismos associados aos componentes químicos desses óleos essenciais.
A Ravensara, por exemplo, possui compostos como o 1,8-cineol, enquanto o sândalo contém compostos característicos como os santalóis. Os autores levantaram a hipótese de que diferentes constituintes poderiam participar dos efeitos observados. PMC
O olíbano, derivado de espécies do gênero Boswellia, também vem sendo investigado em diferentes áreas da pesquisa experimental.
Mas há uma distinção importante:
identificar mecanismos biologicamente plausíveis não é o mesmo que comprovar eficácia clínica.
É justamente por isso que ensaios realizados em pessoas são tão relevantes.
O estudo prova que óleos essenciais tratam rinite?
Não.
Esse é provavelmente o ponto mais importante desta análise.
O estudo encontrou um resultado clínico inicial promissor, mas apresenta limitações importantes.
Foram apenas 54 participantes analisados e o acompanhamento durou somente sete dias. Além disso, foi utilizada uma formulação específica contendo três óleos essenciais em uma determinada concentração e por uma determinada forma de administração.
Portanto, os resultados não permitem concluir que:
- qualquer óleo essencial ajude na rinite;
- sândalo, Ravensara ou olíbano utilizados isoladamente produziriam os mesmos efeitos;
- outras concentrações apresentariam resultados semelhantes;
- os benefícios permaneceriam no longo prazo;
- aromaterapia substitua tratamentos médicos para rinite.
Também é importante observar que os participantes não estavam utilizando tratamentos concomitantes para rinite durante o estudo, de acordo com os critérios de inclusão. PMC
Então, o que esse estudo nos mostra?
Ele mostra algo que considero bastante interessante: há evidência clínica preliminar em humanos sugerindo que uma combinação específica de óleos essenciais pode influenciar alguns sintomas e aspectos da qualidade de vida de pessoas com rinite alérgica perene.
Isso é diferente de dizer que os óleos essenciais “curam rinite”.
Mas também é diferente de afirmar que não existe pesquisa científica sobre o assunto.
A ciência avança exatamente assim: uma hipótese é testada, os primeiros resultados aparecem, novos estudos tentam replicá-los e, gradualmente, o nível de confiança naquela intervenção aumenta — ou diminui.
Nesse contexto, o estudo envolvendo sândalo, Ravensara e olíbano representa um sinal interessante para que novas pesquisas sejam realizadas.
Óleos essenciais devem substituir o tratamento para rinite?
Não.
Aromaterapia e óleos essenciais devem ser encarados como possíveis recursos complementares de bem-estar, e não como substitutos de diagnóstico ou tratamento.
Pessoas com sintomas persistentes de rinite devem buscar avaliação adequada, especialmente porque congestão, dificuldade respiratória e sintomas nasais podem ter diferentes causas.
Também é importante lembrar que substâncias naturais podem provocar irritações ou reações alérgicas em algumas pessoas.
Um resultado promissor, não uma promessa
Quando encontro estudos como este, minha intenção não é transformar uma pesquisa isolada em argumento de venda.
Como consultora dōTERRA e estudiosa desse universo, prefiro outro caminho: acompanhar o que a ciência está descobrindo e compartilhar essas informações com contexto.
Este estudo sobre óleo essencial de sândalo, óleo essencial de Ravensara e óleo essencial de olíbano é particularmente interessante porque foi realizado em seres humanos e encontrou diferenças mensuráveis em comparação com um grupo controle.
Ao mesmo tempo, é somente um estudo pequeno e de curta duração.
Por isso, a melhor conclusão talvez seja também a mais simples:
é um indício promissor — não uma promessa.
Vou continuar acompanhando pesquisas sobre óleos essenciais e rinite, aromaterapia, regulação emocional, sono e outros aspectos do bem-estar para compartilhar com a comunidade aquilo que os estudos realmente mostram — inclusive quando as evidências forem limitadas ou inconclusivas.
Referência do estudo
Choi SY, Park K. Effect of Inhalation of Aromatherapy Oil on Patients with Perennial Allergic Rhinitis: A Randomized Controlled Trial. Evidence-Based Complementary and Alternative Medicine. 2016;2016:7896081. DOI: 10.1155/2016/7896081. PMID: 27034695. PubMed
Foi publicada posteriormente uma correção esclarecendo que os três óleos utilizados foram Santalum album (sândalo), Ravensara aromatica (Ravensara) e Boswellia carterii (olíbano/frankincense); a menção a gerânio no resumo original estava incorreta. PMC